Minha tristeza é muito cega
pra se libertar assim.
É difusa em garrafas cheias.
E mais ainda o estrago
que eu fiz derramando lágrimas
dos teus doces olhos acesos.
E me dói ter errado assim
contra teu seio prestativo.
Mas tanto lamentei ter destoado
e tanto que te vejo paciente
que mais ainda move meus pés.
Os pés que te seguem e que
às vezes, ainda desviam da reta.
Há, no entanto, também certezas na vida
que movem moinhos dentro da cabeça.
As certezas que me trazem os afetos
e que tranquilizam meus nervos.
A certeza de que aí dentro cicatriza
e até desaparece a mágoa que eu deixei.
Certeza da tua mão segurando a minha
em cada instante maldito e taciturno
que eu ainda estiver saindo da estrada.
De como me faz querer ser melhor
até nas noites mais sombrias
dessa cidade desordeira.
A certeza da paz que tive
vendo tua afabilidade
nos instantes, nas estantes
e até estandartes deviam ostentar
tanto que tu é e sabe ser.
E de tanto que aprendi,
vi que teu peito é como asa de borboleta.
Às vezes, a gente machuca sem querer.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
Plágio musical de Drummond
Dó amava Ré que amava Mi
que amava Fá que amava Sol que amava Lá
que não amava ninguém.
Dó foi para decadência, Ré subiu meio tom,
Mi morreu de acidente, Fá ficou para fermata,
Sol suicidou-se e Lá casou com Si Bemol Menor com a Sétima Aumentada
que não tinha entrado na história.
que amava Fá que amava Sol que amava Lá
que não amava ninguém.
Dó foi para decadência, Ré subiu meio tom,
Mi morreu de acidente, Fá ficou para fermata,
Sol suicidou-se e Lá casou com Si Bemol Menor com a Sétima Aumentada
que não tinha entrado na história.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Rebentação
Num solo profundo de argila
eu enterrei meus pecados.
Na rara aurora que no outono
não se via o chão de folhas.
Enterrei à sete palmos o que fiquei de falar.
Enterrei também o que falei
e dispensei o lamento.
Mas como lamento essa minha mania.
Antes taquicardia que a louca euforia
de jogar com saliva as palavras da ponta.
E, meu Deus, como eu sei jogar!
Quisera eu a paz de não ter tanto a dizer.
Quisera eu omitir na descarada casualidade,
de comer o silêncio à garfo,
de saber pensar mais baixo
e não gritar aos quatro cantos
como joão-de-barro alegre.
E tenho, no entanto, um raio de esperança
de que um dia me abandone o soro da verdade
injetado em minhas veias sem minha permissão
e que minhas hemácias transportem menos gritos.
Que não estourem, os gritos, como bolhas de sabão
no meu pequeno corpo desfigurado.
Mas, se for pra arrebentar,
antes de dentro pra fora
que de fora pra dentro.
Ou, pelo menos, o drama fica sendo só meu.
eu enterrei meus pecados.
Na rara aurora que no outono
não se via o chão de folhas.
Enterrei à sete palmos o que fiquei de falar.
Enterrei também o que falei
e dispensei o lamento.
Mas como lamento essa minha mania.
Antes taquicardia que a louca euforia
de jogar com saliva as palavras da ponta.
E, meu Deus, como eu sei jogar!
Quisera eu a paz de não ter tanto a dizer.
Quisera eu omitir na descarada casualidade,
de comer o silêncio à garfo,
de saber pensar mais baixo
e não gritar aos quatro cantos
como joão-de-barro alegre.
E tenho, no entanto, um raio de esperança
de que um dia me abandone o soro da verdade
injetado em minhas veias sem minha permissão
e que minhas hemácias transportem menos gritos.
Que não estourem, os gritos, como bolhas de sabão
no meu pequeno corpo desfigurado.
Mas, se for pra arrebentar,
antes de dentro pra fora
que de fora pra dentro.
Ou, pelo menos, o drama fica sendo só meu.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Carpe diem
Lembra do dia de jangada,
aquele de vento na testa?
Se lembra da vez das estrelas,
aquela das mãos suadas?
É que eu tenho retido sempre
nos fragmentos matinais,
que eu tenho lembrado da vida,
que eu tenho visto os sinais
de que fiz tudo, menos morrer.
Porque a morte aqui é desvinculada de sentir.
E se eu sinto teu nome no ar,
é por viver de dentro pra fora.
Se eu sinto o poema beijar
e sinto a ânsia de um dia transcender,
pode apostar que a vida é mais do que amar.
A vida é mais do que sofrer.
aquele de vento na testa?
Se lembra da vez das estrelas,
aquela das mãos suadas?
É que eu tenho retido sempre
nos fragmentos matinais,
que eu tenho lembrado da vida,
que eu tenho visto os sinais
de que fiz tudo, menos morrer.
Porque a morte aqui é desvinculada de sentir.
E se eu sinto teu nome no ar,
é por viver de dentro pra fora.
Se eu sinto o poema beijar
e sinto a ânsia de um dia transcender,
pode apostar que a vida é mais do que amar.
A vida é mais do que sofrer.
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