sábado, 29 de dezembro de 2012
A moça que mal conheço
Mais um copo, troço, escuro e desvario.
Sem licença, dispensa o trivial.
Perdoe a audácia, mas perdoe se puder.
Afinal, que drama calculista,
Já que me foi excitar o superficial!
Acaso sórdido sou eu, por te ver e querer-te pra mim?
Se assim for, bendito o inferno, meu destino final!
Se eu mais indago que respiro ao ver-te passar,
Estático, lunático, hesitante...
Se te fito calado ou me mostro sagaz!
Se te arranco a beleza ou contenho o olhar!
Se me viro do avesso ou te viro, aliás,
Que ideia essa de me tirar as vísceras?
De embriagar-me de vontade se mal te conheço?
E ainda pago o preço de conter-me.
Indiferente em cada célula
E angustiante na dúvida.
Terá o intelecto escondido de Natacha Ikhméniev?
Terá a sensibilidade peculiar de Jamie Sullivan?
Terá a impetuosidade e orgulho de Verônica Miller?
Ahh tantas palavras obsoletas, desvarios incensantes,
Possibilidades perturbantes e tu ainda a passares.
Me arranca a retina num córrego amargo.
Me punge na língua um sangue bizarro.
E pedes baixinho um doce mulato.
Perdão! Ah perdão por seres a vontade,
A princesa do castelo, o rubi do baú,
Mas nem te dás conta do fatídico mistério.
Se enrosca num paradoxo mental que eu mesmo criei.
Regurgita cada pedaço e me tem como vítima
De um escândalo absurdo, digno do mais trivial dos atos.
Tão sublime, singela, sombria, amarga, doce, indizível.
Tão perdida que clama sem se ouvir.
Mas, tão segura que defende sem sentir.
Fantasma é a única característica que lhe resta.
E como fantasma, ou descansas ou atormenta-me!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Namore uma garota que lê...
Eu sempre achei muito interessante e empolgante esse texto. Sempre achei bem a minha cara, e sempre tem aquele texto que é bem a sua cara e você se sente mal por não ter escrito antes. É bem clichê, é bem menininha até...mas eu gostei e, ninguém tem que se envergonhar do que gosta ou já gostou!!
"Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria de ser a Alice.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã,
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve."
[De Rosemary Urquico.Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura]
"Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria de ser a Alice.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã,
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve."
[De Rosemary Urquico.Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura]
Reciclar o sujeito
Essa
noite, meu sonho simples e livre pôde voar.
Onde
ser humano era apenas ser.
Sem parecer.
Sem
rótulos.
Sem classificações.
Sem adjetivos.
Porque,
todos somos sujeitos simples tentando ser sujeito composto.
Tentando
agregar todos os recursos, todos os direitos, toda fala.
Pois,
na minha síntese, a sociedade seria um verbo.
Um
verbo transitivo, carente de complemento, de um apêndice.
Um
verbo simples de conjugação, adjunto a tudo.
Tudo
desvinculado da segregação. Juntando sujeito e objeto
Com
uma única pretensão: Aplacar a rigidez de uma civilização.
Onde
respeito e afeto afetam cada singular. Há junção de condição.
Há
condição. Há condução. Conduz e condiz com a afeição.
Onde
prenúncios e preconceitos são tão fortes quanto papelão.
Nós
subvertemos os julgamentos. Reciclamos a inclusão.
A
inclusão do ser, do indivíduo, da criatura, do sujeito.
Onde
a beleza da diferença torna o mundo mais dinâmico.
E,
ao mesmo tempo, torna todo mundo igual. Na diferença.
E
se o pretérito já não foi tão singelo, por que não rever o presente
E
inserir todos na primeira pessoa do plural?
Assim,
talvez, tenhamos um futuro mais que perfeito.
Quem disse que a arte brasileira não encanta e inspira o mundo?
Sim, Beirut é uma banda totalmente internacional que pode ser chamada de orquestra sem nenhum exagero. Eu digo totalmente internacional por que suas influências são demasiadamente diversas num âmbito impetuoso e cheio de destreza. Seu líder, Zach Condon, músico desde sua adolescência, conheceu grande parte de diferentes culturas e estilizou a banda em meio ao cenário até então percorrido e conhecido do Leste Europeu, Norte Americano e até mexicano. A banda combina diversos instrumentos de sopro, ukulele, entre outros que caracterizam seu estilo Indie folk, lezmer, pop e world music. Como se já não bastasse tanta mistura e influência organizada, a Beirut fez um cover perfeito (na minha opinião) da música "O Leãozinho" do grande Caê! Apesar das muitas críticas principalmente do seu sotaque, o vídeo ficou uma graça e, logicamente, o seu sotaque contribuiu bastante para a mistura, a diversidade e todos os aspectos que unem a música de uma forma geral. A música brasileira sempre terá motivos para se orgulhar por termos poesias melódicas como as do Caetano e principalmente o reconhecimento da arte brasileira no cenário internacional.
Flor fenecida
Porque a vida pra
mim murchou?
Será que não
tenho nem o direito
De sofrer um
pouco por amor?
E quem diria que
essa alma inebriante,
Sedutora, com um
olhar quase falaz,
Deixaria alguém
tão confiante
Mas, que de
enganar ainda fosse capaz?
Mulher, que
divertia e iludia
Que um dia ainda
dormiu no braço meu.
Cuspiu na doce
taça em que bebia
De alguém que
morreria por um beijo teu.
E eu que ao tocar
nesses lábios
Delirava além da
própria loucura,
Permito-me hoje
sangrar lentamente
Por me roubarem o
sonho e a ternura.
Reconheço até
minha lânguida insensatez
De alimentar essa
dor que me consome,
Por permitir em
meu corpo a frigidez
De ainda ousar
dizer teu nome.
Serão teus atos
pro seu bel-prazer
De lançar tantas
mágoas assim?
Mentiu que me
amava ao dizer
Que derramaria
uma lágrima por mim?
E ainda questiona
a página rasgada
De um sentimento
que enfim feneceu.
Digo em toda a
verdade concisa
Que tua pessoa
pra mim já morreu.
E não quero mais
reter lembranças!
De ti não quero
nenhum rumor!
Não vou te
amaldiçoar por isso.
Amaldiçoo apenas
o meu amor.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Devaneio Noturno
Ah formidável noite...
Me arranca essa lucidez de ser um só
Me punge na pele a elegância de sentir
Se me tapa os poros e congela com o silêncio
Só me resta desatino na ânsia de ainda ser
Mas, quem dera ainda fosse...
Fosse algo tão menos banal
Se tal desatino tão natural
É o que me mantêm em devaneios
Lentos, sórdidos, cálidos, gélidos
Contraditórios, sem eira nem beira
Pois como disse o Moreira:
"Quem faz sentido é soldado."
Se é a noite que me concerta
A madrugada que me devora
Numa visão análoga ao mal
Mantêm-me longe do desespero
Desespero de ser tão normal
E ainda ganho estrelas
Num ímpeto escurecer
Tão fugaz quanto o silêncio
De um louco dissimulado...
Mas é tudo estilhaço
São só frações de loucura
Que imperam numa mente ignominiosa
Que fomentam a razão de ser mais
De ser algo melhor do que já foi
Do que já é...
E a recompensa de tudo
É o sobrevoo do frenesi
Na casa velha de um coitado
Pobre, cego e nu...mas pensante.
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