segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Versinho em bloco

Eu escrevi sem poder rimar
que tudo que é bagunçado
é por tua causa, menina.
Quando me pego sem poder dormir,
quando me enxergo sem me colorir,
ou te vejo na bolha de sabão.

Eu escrevi sem poder rimar
que enquanto houver um sinal de ti
ou um barquinho longe no horizonte
com o teu lenço ali dependurado,
com um versinho de amor bem guardado,
eu vou estar acenando do cais.

Eu escrevi sem poder rimar
que enquanto houver o teu carinho leve
e a minha ousada marca de fraqueza,
há de haver bobagem na minha goela
e há de haver sereno em você, magrela,
já que a fraqueza de mim é você.

Eu escrevi sem poder rimar
que eu não desisto da dor de doar,
ou do doce som que tua voz ecoa.
Nem desisto da insônia mirabolante,
pois, se nem troco açúcar por adoçante
como desistir de você assim?

Eu escrevi sem poder rimar
que tua ausência amarga demais.
Vê se me liga pra dizer 'boa noite'
ou me explicar tua frase de efeito
pois não consigo nem pensar direito
com teu poder de me desvencilhar.

Eu escrevi sem poder rimar
que minha sombra te sobrará
num dia triste de segunda-feira.
E se perguntarem se eu sonho, de repente
ou se por ela tenho amor
eu respondo: desmedidamente.
Eita, parece que rimou!