Eu escrevi sem poder rimar
que tudo que é bagunçado
é por tua causa, menina.
Quando me pego sem poder dormir,
quando me enxergo sem me colorir,
ou te vejo na bolha de sabão.
Eu escrevi sem poder rimar
que enquanto houver um sinal de ti
ou um barquinho longe no horizonte
com o teu lenço ali dependurado,
com um versinho de amor bem guardado,
eu vou estar acenando do cais.
Eu escrevi sem poder rimar
que enquanto houver o teu carinho leve
e a minha ousada marca de fraqueza,
há de haver bobagem na minha goela
e há de haver sereno em você, magrela,
já que a fraqueza de mim é você.
Eu escrevi sem poder rimar
que eu não desisto da dor de doar,
ou do doce som que tua voz ecoa.
Nem desisto da insônia mirabolante,
pois, se nem troco açúcar por adoçante
como desistir de você assim?
Eu escrevi sem poder rimar
que tua ausência amarga demais.
Vê se me liga pra dizer 'boa noite'
ou me explicar tua frase de efeito
pois não consigo nem pensar direito
com teu poder de me desvencilhar.
Eu escrevi sem poder rimar
que minha sombra te sobrará
num dia triste de segunda-feira.
E se perguntarem se eu sonho, de repente
ou se por ela tenho amor
eu respondo: desmedidamente.
Eita, parece que rimou!
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Confessé
Eu odeio
quando você não percebe que é pra você que escrevo, que é sobre você que
escrevo e que é por você que me apaixono um tantinho mais a cada dia.
Odeio quando
você sorri escondido enquanto eu sorrio escondido e a gente nada de se juntar.
Odeio quando
você sabe que me ama e descansa no medo de nos enfrentar.
Odeio quando
falamos de outros amores e, em seguida, saímos a roubar flores no ensaio de nos
entregar.
Odeio quando
roubamos flores e deixamos todas murcharem na vergonha de nos desvendar.
Odeio que
você sabe e sabe tanto quanto eu
que o meu
amor te cabe e que o teu amor é meu.
Odeio que a
gente se pinte de amigo e brinque que vai casar;
Odeio que
nos pertence, por agora, se esconder
Quando tudo
que a gente quer é ficar junto e olhar o mar;
Quando tudo
que a gente quer é se viver e se amarrar e a gente nada de confessar .
-Ana Larousse
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Apego ao que tenho
Eu tenho a certeza de algo agradável
e tenho apego às coisas que tenho.
Eu tenho uma lembrança guardada
de você acostumada com café logo pela manhã.
Eu tenho um disco antigo que ainda ouço
de uma banda que ninguém ouviu falar.
Eu tenho uma gravata que você me deu
pra pelo menos uma vez eu ser elegante.
Eu tenho um segredo que você contou
quando eu nem sonhava com você.
Eu tenho uma lista de livros perdida
em algum lugar da minha gaveta.
Tenho um ódio fincado no peito
de alguém que nem sequer conheci.
Eu tenho um violão que me acompanha
quando há ausência de companhia.
Tenho um filme pra ver no domingo
quando a preguiça resolver mandar.
Tenho um álbum de fotografias
de quando eu nem era eu.
Tenho ali também uma foto tua
que eu miro vez ou outra, ou vez e sempre.
Tenho guardado uns trocados pra quando a gente precisar
Que talvez nem dê pra muito mais que um jantar.
Eu tenho poemas que leio
quando algo me contagia.
Eu tenho aqui uma alegria
de quando te ouvi cantar.
Tenho um rastro de ousadia
que já me atirou no chão.
Eu tenho duas tulipas rosa
que você ainda receberá.
Tenho feridas abertas e feias
deixadas por uns poucos.
Tenho a leveza de contar
com outros poucos e loucos.
Eu tenho um caderno velho
cheio de rabiscos tortos.
E tenho até um vício antigo
de me admirar com a lua.
Mas de tudo que eu tenho
Nada é tão bonito
quanto a saudade tua.
e tenho apego às coisas que tenho.
Eu tenho uma lembrança guardada
de você acostumada com café logo pela manhã.
Eu tenho um disco antigo que ainda ouço
de uma banda que ninguém ouviu falar.
Eu tenho uma gravata que você me deu
pra pelo menos uma vez eu ser elegante.
Eu tenho um segredo que você contou
quando eu nem sonhava com você.
Eu tenho uma lista de livros perdida
em algum lugar da minha gaveta.
Tenho um ódio fincado no peito
de alguém que nem sequer conheci.
Eu tenho um violão que me acompanha
quando há ausência de companhia.
Tenho um filme pra ver no domingo
quando a preguiça resolver mandar.
Tenho um álbum de fotografias
de quando eu nem era eu.
Tenho ali também uma foto tua
que eu miro vez ou outra, ou vez e sempre.
Tenho guardado uns trocados pra quando a gente precisar
Que talvez nem dê pra muito mais que um jantar.
Eu tenho poemas que leio
quando algo me contagia.
Eu tenho aqui uma alegria
de quando te ouvi cantar.
Tenho um rastro de ousadia
que já me atirou no chão.
Eu tenho duas tulipas rosa
que você ainda receberá.
Tenho feridas abertas e feias
deixadas por uns poucos.
Tenho a leveza de contar
com outros poucos e loucos.
Eu tenho um caderno velho
cheio de rabiscos tortos.
E tenho até um vício antigo
de me admirar com a lua.
Mas de tudo que eu tenho
Nada é tão bonito
quanto a saudade tua.
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