domingo, 24 de fevereiro de 2013

Malandragem egoísta


Tudo que vem é bem melhor do que se tem.
Eu tenho luz elétrica o tempo todo.
Mas quando falta luz e ela volta,
o bairro inteiro vibra comigo.
É a fuga do infortúnio.
Se fulana volta comigo depois de uma semana,
é melhor do que passar dois meses juntos.
A volta é melhor. É nova, é divina,
é centrada, é irreal, é mirabolante.
Mas fulana muito me agrada.
Por isso prezo essa afeição marginal
de literatura pichada no muro.
Meu querer é tanto que me afaga
essa linha tênue de reconciliação.
Se a alforria grita lá da frente,
pra quê tanto aperreio em lentidão?
Se eu só falo uma língua e ela é tua,
pra que tu atua de emotiva ao coração?
Nossa arte, meu bem, é rir um do outro
na metade do almoço e depois da discussão.
Talvez nem o ramo mais sofisticado da Hermenêutica
entenda esse misto de prazer e negação.
Dessa malandragem egoísta.
Por que pode não ser amor,
mas eu sei que essa doideira de amor
é como estrada esburacada.
A passagem é complicada,
mas tu tem que passar.

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