segunda-feira, 1 de abril de 2013

Branco


Todo branco um dia cansa
de insistir em ter-se nada.
Toda onda será mansa
no entortar da madrugada
onde o branco será pouco
sem tintura no papel
e o santo do pau oco
reza para alguém no céu.

Pede pra encontrar um verso
que ali deve se achar.
Seja plácido ou perverso,
seja pétalas de mar.
Só se sabe que afinal
todo branco esconde arte
na entrelinha ou marginal
do sujeito em qualquer parte.

Afinal, se tem final
rima dia amargo fosse,
ora insólito, normal,
branco verso fica doce.

[E num dia qualquer fez-se tudo
onde a raspa de madeira anuncia
que a ausência é só uma presença
escondida em novas velhas miragens.
Mas se do branco tanto enfim tende a crescer,
o que será de mim quando eu vier a escrever?]

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