quinta-feira, 15 de maio de 2014

Apego ao que tenho

Eu tenho a certeza de algo agradável
e tenho apego às coisas que tenho.

Eu tenho uma lembrança guardada
de você acostumada com café logo pela manhã.

Eu tenho um disco antigo que ainda ouço
de uma banda que ninguém ouviu falar.

Eu tenho uma gravata que você me deu
pra pelo menos uma vez eu ser elegante.

Eu tenho um segredo que você contou
quando eu nem sonhava com você.

Eu tenho uma lista de livros perdida
em algum lugar da minha gaveta.

Tenho um ódio fincado no peito
de alguém que nem sequer conheci.

Eu tenho um violão que me acompanha
quando há ausência de companhia.

Tenho um filme pra ver no domingo
quando a preguiça resolver mandar.

Tenho um álbum de fotografias
de quando eu nem era eu.

Tenho ali também uma foto tua
que eu miro vez ou outra, ou vez e sempre.

Tenho guardado uns trocados pra quando a gente precisar
Que talvez nem dê pra muito mais que um jantar.

Eu tenho poemas que leio
quando algo me contagia.

Eu tenho aqui uma alegria
de quando te ouvi cantar.

Tenho um rastro de ousadia
que já me atirou no chão.

Eu tenho duas tulipas rosa
que você ainda receberá.

Tenho feridas abertas e feias
deixadas por uns poucos.

Tenho a leveza de contar
com outros poucos e loucos.

Eu tenho um caderno velho
cheio de rabiscos tortos.

E tenho até um vício antigo
de me admirar com a lua.

Mas de tudo que eu tenho
Nada é tão bonito
quanto a saudade tua.

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