quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Devaneio Noturno


Ah formidável noite...
Me arranca essa lucidez de ser um só
Me punge na pele a elegância de sentir
Se me tapa os poros e congela com o silêncio
Só me resta desatino na ânsia de ainda ser

Mas, quem dera ainda fosse...
Fosse algo tão menos banal
Se tal desatino tão natural
É o que me mantêm em devaneios
Lentos, sórdidos, cálidos, gélidos
Contraditórios, sem eira nem beira
Pois como disse o Moreira:
"Quem faz sentido é soldado."

Se é a noite que me concerta
A madrugada que me devora
Numa visão análoga ao mal
Mantêm-me longe do desespero
Desespero de ser tão normal
E ainda ganho estrelas
Num ímpeto escurecer
Tão fugaz quanto o silêncio
De um louco dissimulado...

Mas é tudo estilhaço
São só frações de loucura
Que imperam numa mente ignominiosa
Que fomentam a razão de ser mais
De ser algo melhor do que já foi
Do que já é...
E a recompensa de tudo
É o sobrevoo do frenesi
Na casa velha de um coitado
Pobre, cego e nu...mas pensante.

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