sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Flor fenecida












Ainda indago o meu próprio peito,
Porque a vida pra mim murchou?
Será que não tenho nem o direito
De sofrer um pouco por amor?

E quem diria que essa alma inebriante,
Sedutora, com um olhar quase falaz,
Deixaria alguém tão confiante
Mas, que de enganar ainda fosse capaz?

Mulher, que divertia e iludia
Que um dia ainda dormiu no braço meu.
Cuspiu na doce taça em que bebia
De alguém que morreria por um beijo teu.

E eu que ao tocar nesses lábios
Delirava além da própria loucura,
Permito-me hoje sangrar lentamente
Por me roubarem o sonho e a ternura.

Reconheço até minha lânguida insensatez
De alimentar essa dor que me consome,
Por permitir em meu corpo a frigidez
De ainda ousar dizer teu nome.

Serão teus atos pro seu bel-prazer
De lançar tantas mágoas assim?
Mentiu que me amava ao dizer
Que derramaria uma lágrima por mim?

E ainda questiona a página rasgada
De um sentimento que enfim feneceu.
Digo em toda a verdade concisa
Que tua pessoa pra mim já morreu.

E não quero mais reter lembranças!
De ti não quero nenhum rumor!
Não vou te amaldiçoar por isso.
Amaldiçoo apenas o meu amor.

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