terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Coroa alva
Tantas coisas já viram estas retinas fatigadas!
Tantas milhões de vezes já pestanejaram!
Tantas milhões de imagens já capturaram!
A derrota de 50,
o regime militar,
o tropicalismo,
o milagre econômico,
o plano real,
o atentado em 2001.
E em cada minuciosa cena imposta,
a imagem menos nítida fica.
A recompensa é uma coroa alva e fina
na cabeça que tanto peso carregou,
que tantas paranoias alimentou e
agora já anuncia a hora da partida.
Cansado de tantos passos já dados
num mundo que nem sequer notou
as histórias e estórias que o mesmo se fez ver.
Não, nem precisa falar. Mostra as mãos calejadas,
marcadas no moinho de milho e no cabo de enxada.
A enxada que andava sozinha e que o alimentou.
Mas, agora, já devaneia e medita sozinho.
Troca o dia de hoje por 30 anos atrás
e como aprecia um bom jogo de conversas!
Ah velho, quem terá roubado teu sonho?
Fostes feliz ou fostes alegre?
Quem decretou a lei morte?
Quem te privou da eternidade?
Querias viver assim, pra sempre?
Quem decretou a lei que o tempo enruga a pele
e faz nascer os grisalhos da experiência?
Por que é isso que eles mostram!
Ah velho, queria eu ter tuas ideias,
teu jeito de lidar e compreender!
Mas, se assim fosse, não faria eu
as besteiras necessárias pra se viver.
No mais, que a vida tenha piedade
e te leve na ânsia do descanso.
Quanto a mim, meu velho, tirando os imprevistos,
ainda tenho muito o que viver!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário