segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Léxico homicida
Jurou amor eterno
e prometeu lavar a louça.
Disse ainda que melhoraria na escola.
Aliás, não disse! Dessa vez foi uma promessa.
Já acostumada com o descaso das palavras,
vive a prometer e jurar.
Para o diabo com tanta alusão à verdade.
Por acaso são palavras só conjuntos
de letras sem sentido?
Maldito seja quem inventou
essa coisa de jurar e prometer.
Que agora não me basta unicamente
emitir o necessário de sons
prenunciando minhas atitudes.
Além disso eu preciso prometer.
Agora tudo que eu falo é balela
se não vier vinculado a um
"Ahhh eu juro sim".
Se bem que nossa geração já se acostumou
a ver a banalização das coisas
subitamente por meio de outras.
E é isso que tem acontecido
desde o princípio.
O léxico assassinou a "palavra"
com juras e promessas.
Mas palavras vão além.
Já são espíritos mortos que saem
de onde passaram tanto tempo, que morreram.
E à medida que se pensa, a ideia percorre
um caminho tão longo que ela morre.
Simplesmente assim. E depois de morta
precisa sair pela laringe
e a boca diz:"Aqui jaz um pensamento".
Não juro amor eterno
Nem prometo lavar a louça.
Pois, há quem fala sem pensar
e há quem diga o que não quer.
Mas se eu expeli algumas sílabas,
gemidos e segredos, é assim que é.
Sinto muito, meu bem,
mas não peça promessas.
Aqui há muito pouca sanidade
pra basear verdades ou mentiras
em conceitos místicos e culturais
sem sentido. Agora faça-me o favor:
Ouça aquela música e saia de si
por que há muito o que pensar.
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