domingo, 13 de janeiro de 2013
Noites de sexta
Estavam ali jogados no chão os papéis amassados
cheios de rabiscos asquerosos e tediosos.
Por que na semana inteira é essa a cena.
O tédio com sons em disparate
e palavras jogadas no remorso do silêncio.
Mas era o dia da liberdade psicológica.
É como eu chamo esse calor momentâneo
que ferve as tripas e quer correr
de súbito sem uma gota de paciência
pra o cenário de um poema de Bukowski.
E essa liberdade me permite a franqueza
de dar gargalhadas falando mal do ordinários.
Dois seres dando gargalhadas dos ordinários.
Mais uma sexta-feira de verbos sorrateiros
que jorravam da garganta no ápice das ideias
de uma moça simples e ponderada.
Mais uma noite quente na mesa de plástico
com a cerveja derramada em cima
e um gole na boca a cada 30 segundos.
Eu com minha cadeira na sombra de cajá
Ouvia as teorias e opiniões desde
a pressão arterial até o humor
politicamente incorreto.
As teorias são poderosas.
Toda teoria é poderosa.
Vai depender de quem as conduz
e com que argumentos as faz correr.
São às vezes palavras fugazes vinculadas
às banalidades e bobagens no papel.
É como escrever poemas ouvindo Belchior.
Como sentar na pedra e deduzir quem a colocou lá.
É como perturbar a própria mente em noites assim quentes
ou mesmo noites frias de leves pancadas no rosto.
Mas esse sertão raramente me permite o frio.
É sempre o calor de brasa sem sono ou brisa.
Sempre sentado num canto escuro de parede
pensando em versos de boteco.
Mas é fascinante formular teorias.
Veja aquele cão! Quantas histórias
ele contaria se pudesse falar?
Veja o firmamento! Te parece belo
ou só rotineiro como o café?
Você pularia do quarto andar
se soubesse o que ninguém sabe?
É tudo bobagem! Teorias são bobagens!
Mas excitam mais que as zonas erógenas.
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