quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Gente nossa


O suor aqui sempre valeu ouro como em toda terra de trabalhador. É o sangue frio dos poros vivos de gente mestiça. Gente que fez da terra lar e do amarelo, chão. Aqui o único verde é o do juazeiro e o sol arde em brasa na pele avermelhada. Aqui o açude enterra os seus mortos mas não mata a sede de ninguém. Aqui Cristo também tem braços abertos e vê cada periferia. Mas é só. Aqui ainda há os que ostentam o crucifixo como troféu aceso de perseverança. O mesmo povo que faz história e cultura. Por que cidade não é feita de Pe. Rolim nem papa, presidente, prefeito ou diabo a quatro. É o povo que faz história, que faz terra. Aqui, que tem oiticicas mais velhas que eu e ainda imita o Rio num pôr do sol formoso. Aqui tem gente de garra que se acumula e se empurra pra todo lado pra poder caber. Personagens carregados de histórias e esbanjam sorrisos sinceros no rosto. É pedaço de chão simples de ver, simples de falar, cheio de suas façanhas e agente de sabedoria. Mas quem conhece mesmo a terrinha é quem bate perna. É quem troca passos com a solidão nas ruas do centro. Quem conhece os moradores de rua até por nome. É gente que inspira gente e fica contente com a Carrazêra nossa de todo dia.

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